Rainbow ♥
” Deixa que eu te ame em silêncio.
Não pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toquem, e as bocas
e a pele
falem seus líquidos desejos.
Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser quelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se amor e vida
fossem discurso
de impronunciáveis emoções.”
(Sant’anna, Anffonso Romano de - Silêncio amoroso¹, p.17; Intervalo amoroso & outros poemas escolhidos).
Vegetariano
Não dispenso a chorar
sobre os legumes esquartejados
no meu prato.
Tomates sangram em minha boca,
alfaces desmaiam ao molho de limão-mostarda-azeite,
cebolas soluçam na pia
e ouço o grito das batatas fritas.
Como.
Como um selvagem, como.
Como tapando o ouvido, fechando os olhos,
distraindo, na paisagem, o paladar,
com a displicente volúpia
de quem mata para viver.
Na sobremesa continua o verde desespero:
peras degoladas,
figos desnutridos
e eu chupando o cérebro
amarelo das mangas.
Isto cá fora. Pois lá dentro
sob a pele, uma intestina disputa
me alimento: ouço lamento
de milhões de bactérias que o laça chamas dos antibióticos
exaspera.
Por onde vou é luto e luta.
(Sant’anna, Anffonso Romano de - Pequenos assassinatos,; Intervalo amoroso & outros poemas escolhidos).
Chegou a hora que tanto temíamos , vamos ter que erguer nossa guarda, colocar os homens aposto, antes que eles cheguem. Sempre soubemos que esse dia chegaria, mas deixamos que um deles nos convencesse com suas doces palavras, caímos no canto da sereia, nos ignoramos o mensageiro, nunca havíamos feito isso antes, mas estávamos cansados de lutar, por anos vinhamos brigando, quero que avise aos guardas para que feche os portões, que avise aos soldados que alguns de nos irá se ferir, outros irão morrer, porque sabemos que os mais fracos não irão acreditar que isso seria possível, talvez no fim da guerra eu tenha que me entregar para a morte, pois fui o causador dessa dor e desgraça, caso eu não precise me entregar, nascera um novo general. Vocês não merecem passar por uma desgraça dessas novamente. Vá avise a todos os civis que estamos em perigo e estamos erguendo a guarda nesse momento, que é para juntar o máximo de comida e água que puderem para que quando não precisem sair para pegar nada, por eles articularão maneiras de nos enganar novamente, essa guerra pode durar dias, meses ou até anos, mas iremos vencer e seremos conhecido por esse feito, destruiremos o coração do dragão, talvez seja muito cruel da nossa parte, mas o dragão atacou a rainha primeiro. E talvez ela nunca me perdoe por isso.
(Source: romantizar, via versificar)
(Source: romantizar, via versificar)
